Não é por acaso que situações dissemelhantes recebem nomes diferentes. Nesta ordem de ideias, quando dizemos de alguém que vive com outrem, porque não se encontra efectivamente casado(a) com esse outrem, significa que reconhecemos que "viver com" não é equivalente a "estar casado com". Ambas as expressões não são intersubstituíveis, precisamente porque remetem para realidades distintas, incorporando cada uma um valor simbólico também díspar.
Não se compreende o afã da aproximação excessiva, do ponto de vista jurídico, de opções diferentes de relacionamento amoroso (casamento e união de facto). Afã esse que culminou, na passada sexta-feira, na aprovação no Parlamento das alterações ao regime das uniões de facto, que contemplam o reforço das medidas de protecção aos unidos de facto.
Quem opta por viver em união de facto abdica de assumir um conjunto de obrigações e de direitos que o casamento implica. Porquê então a necessidade de se imporem direitos que, afinal, os próprios unidos de facto, pela opção que tomam, prescindem de adquirir? "Progresso civilizacional" é indiferenciar a todo o custo regimes distintos de vivência afectiva, esvaziando os seus pressupostos básicos e as suas especificidades?
É caso para perguntar qual será o próximo "progresso civilizacional" em vista: a poligamia? A poliandria?
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