domingo, 21 de fevereiro de 2010

Uma notícia chamada Manifestação

Qualquer falante minimamente competente do português reconhece que contar algo que aconteceu é bem distinto do que contar algo que parece ter acontecido ou que poderia ter acontecido ou, ainda, que gostaríamos que tivesse acontecido. Não compreender, seja por ignorância cognitivo-linguística, seja por pura tendenciosidade e mesmo distorção interpretativas, que estas nuances sintácticas envolvem uma grande diferença semântica é tratar de modo igual aquilo que é e deve ser tratado de modo diferente. Se em relação a "algo que aconteceu" nos situamos no plano da realidade, relativamente a "algo que parece ter acontecido/que poderia ter acontecido/que gostaríamos que tivesse acontecido" encontramo-nos já no reino [(des)encantado] da ficção ou, se preferirmos, da realidade ficcionada.
Ora, reportar a Manifestação que ontem bloqueou, de forma entusiástica, o centro de Lisboa é, em jeito de síntese, informar, relatar, referir, mencionar os factos objectivos e verdadeiramente relevantes da Manifestação, aqueles que devem ter (deviam ter tido) a centralidade noticiosa, visto que eles são, afinal, a verdadeira notícia.

Como as imagens já aqui postadas provam, em ângulos amplos que nos permitem ter a real percepção do acontecimento, vários milhares de portugueses de Norte a Sul do país, entre avós, pais, filhos..., cidadãos livres, encheram o Marquês, toda a Avenida da Liberdade e os Restauradores ontem à tarde, sensivelmente desde as 15h até às 18h, para exigirem um referendo ao casamento homossexual. Homens e mulheres de todas as idades, assim como jovens e crianças exigiram ser ouvidos numa questão tão fracturante como esta, que rompe com o fundamento seminal de toda a civilização humana: a Família. Alguém se conseguiu aperceber, nas nossas televisões, da real imensidão de gente que se manifestou?

Personalidades como o General Garcia Leandro, Dr. José Ribeiro e Castro, Dr. Fernando Ribeiro e Castro, Dr. José Paulo Carvalho, Prof. Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, Arq. Gonçalo Ribeiro Telles, Drª Maria José Nogueira Pinto e D. Duarte Pio marcaram presença nesta Manifestação e (algumas) discursaram em nome do verdadeiro sentido da Família. Alguém, por algum momento, os (ou)viu nos nossos telejornais, quer nos canais generalistas, quer nos da cabo?

Pode haver quem não goste da realidade dos factos e, por isso, não os queira aceitar, mas não tem o direito de os escamotear, deturpar e recompor a seu bel-prazer. Conhecer e pôr em prática os valores da transparência e da honestidade é sempre um exercício de cidadania a que nenhum democrata digno desse nome se pode escusar.

A Manifestação no Marquês-Avenida da Liberdade-Restauradores de ontem vs. a Manifestação no Marquês-Avenida da Liberdade-Restauradores (tele)noticiada: a todos os que se manifestaram ontem sugiro que descubram as diferenças. Ou... talvez não seja necessário, pois elas foram e são por demais evidentes.

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