sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

We are Family!

Nunca se propalou, com jactância desmesurada, tanto número, tanta percentagem, tanta quantificação como nos últimos anos da nossa governação, independentemente dos equívocos, deliberados ou não, a eles inerentes. Os números tornaram-se inamovíveis dos discursos, dos debates, das comunicações ao País, como uma espécie de "entes queridos" por quem tudo se justifica e/ou se pretende justificável. Mas, tal como na quinta orwelliana uns animais eram mais iguais do que outros, também se constata, nestes tempos conturbados, que há números mais "ditosos" do que outros, ou não fosse clarividente o desprezo (não será mesmo a discriminação?) votado a mais de 90 mil (reescrevo, a mais de 90 mil) peticionários do referendo ao casamento homossexual e, segundo o noticiado, a mais de 5 mil manifestantes (é, aliás, curioso que não se tenha chegado a confirmar a contabilização certa ou, pelo menos, a mais aproximada), que, em defesa da família e do casamento, percorreram a baixa lisboeta no passado sábado, como aqui postámos. Estes números falam por si, mas, mais do que números, convém não esquecer que representam pessoas, milhares e milhares de cidadãos a defenderem valores estruturais e estruturantes da civilização humana, valores que, segundo parece, são ou passaram a ser (ir)risórios para uns tantos, a quem o que mais (co)move são os números tout court. Perdão, uns números.
Em contrapartida, será sempre alentador ver e sentir que, pela família e pelo casamento, uma multidão de portugueses não cessará de entoar um "We are Family!" com tamanha convicção, vivacidade e ternura como o dia 20 de Fevereiro deixou patente.

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