Aquando da discussão da lei da despenalização do aborto em Portugal, os defensores do NÃO, a despeito de toda a onda de indignação "progressista" que contra eles se ergueu, não deixaram de assinalar os vários pontos preocupantes da aplicação desta lei, tendo nomeadamente alertado com insistência para o perigo de o aborto vir a tornar-se um método contraceptivo generalizado.
Tal alerta teve e continua a ter cada vez mais a sua razão de ser, como atestam as diversas notícias publicadas a dar conta do aumento considerável do número de abortos, em particular dos abortos múltiplos realizados pelas mesmas mulheres, muitos dos quais no mesmo ano, e como comprova também a entrevista de ontem ao Público do Presidente do Conselho Nacional de Ética (http://jornal.publico.pt/noticia/27-06-2010/depois-da-lei-ha-mulheres-que--fazem-dois-e-tres-abortos-por-ano-19709379.htm).
Este responsável defende a necessidade de uma revisão dos "aspectos negativos desta lei" e manifesta a sua indignação pelo crescimento constante do número de abortos, que, tal como nos esclarece, "de 12 mil passou para 18 mil em 2008 e para 19 mil em 2009". Números, no mínimo, inquietantes. Acrescenta também que "alguns defensores da despenalização do aborto há três anos - médicos, enfermeiros - questionam-se sobre se o aborto deve ser gratuito nos segundos e terceiros casos". É, no mínimo, estranho que as recentes medidas de redução de despesas prevejam, por exemplo, o corte do número de médicos nas urgências e a diminuição de apoios na saúde aos pensionistas e não contemplem qualquer revisão da lei do aborto também na sua componente de custos.
Num país em que a taxa de natalidade atinge valores extremamente diminutos, em que a percentagem de casais inférteis regista uma subida significativa e em que o Serviço Nacional de Saúde soma despesas incomportáveis, o Estado não cessa de pagar, com os impostos dos contribuintes, abortos sucessivos e, como tal, a permitir a banalização de uma prática que promove uma cultura de morte em vez de uma cultura de vida, que fomenta a desresponsabilização de comportamentos em vez da sua responsabilização, que facilita a promiscuidade sexual em vez de incentivar a uma verdadeira cultura de afectos.
Isto para não falar na dimensão ética e no respeito pela vida humana que a questão do aborto obrigatoriamente levanta, porque, para muitos, a vida humana parece não possuir um valor absoluto ou, pelo menos, algumas vidas humanas.
A leviandade com que o aborto foi e continua a ser encarado reflecte-se nos resultados em que a lei da despenalização do aborto redundou e continuará a redundar, se nada for feito para contrariar a presente realidade.
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