Ultimamente, a Islândia tem sido tema recorrente das páginas dos jornais. Primeiro, por causa do seu colapso económico. Depois, pelo facto de as nuvens de cinza resultantes da erupção do impronunciável vulcão Eyjafjallajökull terem paralisado o espaço aéreo europeu durante dias. Agora, devido ao peculiar resultado das eleições para a câmara de Reiquejavique. A vitória coube ao intitulado "Melhor Partido", que conquistou 34,7% dos votos, sem contudo ter alcançado a maioria absoluta.
O insólito desta vitória prende-se com o facto de o partido vencedor, que é liderado pelo mais popular comediante do país, de seu nome Jon Gnarr, ter definido como principais promessas eleitorais a distribuição gratuita de toalhas nas piscinas da capital e a doação de um urso polar ao jardim zoológico da cidade.
Tudo isto teria a sua graça se não passasse de um mero sketch humorístico, sem quaisquer consequências práticas. No entanto, a realidade acaba por se afigurar mais séria. Qual a viabilidade e a credibilidade políticas de um candidato, agora já eleito, que pura e simplesmente apresentou um anti-programa? Quais as condições de governabilidade dessa câmara? Que efeitos desencadeia um episódio como este na imagem já fragilizada que os cidadãos têm da política e dos políticos, bem como no próprio exercício da política?
É sem dúvida um caso que, se por um lado nos mostra que a sátira política é considerada legítima em democracia, por outro nos recorda que a política é uma actividade que implica grande responsabilidade, seriedade e zelo.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
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